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Armas da paz
S. Quimas |
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Muitas vezes, ou melhor, diariamente, somos confrontados por fatos que se dão em todo o mundo e mesmo conosco mesmos, ou conhecidos, que nos afligem e nos inviabilizam a necessária paz interior.
São agressões, guerras, assaltos, assassinatos,
seqüestros, enfim, todo um conjunto de acontecimentos que nos levam à apreensão
e constante tensão. Chamam a isto: vida moderna. Eu contudo, denomino:
indiferença.
Indiferença e até mesmo comodidade em relação àquilo que nos está
furtando um dos bens mais preciosos que podemos alcançar na vida: a Paz.
Fazem-se guerras, bandidos violentam a população, crianças são escravizadas, prostituídas e violentadas, pessoas lesam-nos impunemente, e o que fazemos? Simplesmente recuamos a um canto lastimando os fatos acontecidos e pouco realizamos para que isto não se produza novamente.
Com tal atitude, simplesmente, passamos a ser coniventes
com a situação instaurada e poucas esperanças podemos ter que o quadro se
reverta.
Não há revolução possível sem a colaboração de todos. Mesmo os grandes
homens e mulheres que lutaram para que pudéssemos nos transformar em uma
civilização ordeira e pacífica, empreendedora e justa, contaram com a ajuda e o
comprometimento de outras pessoas. Como diz o ditado: uma só andorinha não faz
verão.
Para que ajudemos, não precisamos usar de violência, combatendo com a espada a espada. Exemplos há, como o de Gandhi, que libertou a Índia sem usar da violência, que indicam que o essencial é obrarmos todos os dias para que a meta da Paz seja alcançada.
Atos simples são capazes de revolucionar nossas vidas e nosso meio, mas a ação deve ser constante e objetiva. Quantas vezes despendemos tempo precioso com superficialidades, principalmente numa época como a que vivemos, que demanda direção e uso equilibrado do tempo, e não dedicamos sequer um minuto em meditação sobre a Paz, a Harmonia, o Bem.
Seria isto medo? Acredito que esta seja uma das principais causas. O medo de se envolver, de se engajar, mas também a prévia rendição às circunstâncias, a impotência auto-imposta.
Fingimos não nos aperceber, nos ocultamos em envolvimentos que nada de positivo nos trazem, sobrecarregamo-nos de vazios, tudo isto para dissimularmos a nossa dificuldade em lidar conosco mesmos e com os acontecimentos cotidianos.
Até quando criaremos subterfúgios à nossa ausência? Até quando aceitaremos a degradação de nossa humanidade e de nosso planeta? Até quando seremos infantes submissos ao medo? Até quando?
O Edifício da Paz se constrói por obreiros e não por mágica, se constrói por quem participa e não por aqueles que se omitem.
Para que tenhamos uma civilização real temos que realizá-la no dia-a-dia, a cada instante e daqui para sempre.
Que a Paz esteja contigo.